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Britânico x americano

Inglês britânico x americano: o que muda

Veja as diferenças entre inglês britânico e americano em grafia, vocabulário, gramática, pronúncia e escrita, com exemplos.

Por Equipe Surbew LondonAtualizado em 6 min de leitura
Capa do texto: Inglês britânico x americano: o que muda

Você pede um “biscuit” numa cafeteria de Londres e recebe algo parecido com uma bolacha. Nos Estados Unidos, o mesmo pedido traz um pãozinho macio. Você lê “pavement” num aviso e não sabe se é piso, rua ou calçada. Essas situações são comuns, e quase todas têm explicação simples.

Neste artigo, a Equipe Surbew London mostra as principais diferenças entre o inglês britânico e o americano. A ideia é que você saiba onde elas aparecem e quais merecem atenção. Cada tema tem um texto próprio no site, com links ao longo da página.

As duas variedades são a mesma língua

Inglês britânico e inglês americano não são línguas diferentes. Quem fala uma variedade entende a outra na imensa maioria das conversas. As diferenças ficam em alguns pontos bem definidos: a grafia de certas palavras, parte do vocabulário, alguns detalhes de gramática, a pronúncia e certos hábitos de escrita.

Também não existe “um inglês britânico” único. O Reino Unido tem sotaques e expressões bem diferentes de região para região. Quando dizemos “britânico” neste site, falamos do padrão que aparece em dicionários, jornais, provas e materiais de ensino do Reino Unido. O mesmo vale para “americano” e os Estados Unidos.

Uma boa notícia: o que não muda é muito maior do que o que muda. A estrutura das frases, os tempos verbais principais, a maior parte das palavras e as regras básicas são iguais nas duas.

A diferença mais visível está na escrita. Algumas palavras terminam de outro jeito, e algumas letras mudam.

Britânico Americano Português
colour color cor
centre center centro
travelled traveled viajou
defence defense defesa
programme program programa (de TV, evento)
grey gray cinza

Repare no padrão. O britânico mantém “-our” e “-re” em muitas palavras de origem francesa. O americano simplificou: “-or” e “-er”. Já o duplo “l” em “travelled” aparece quando o verbo termina em “l” e o acento não cai na última sílaba, no britânico. O americano costuma escrever uma só.

Tem muito mais a dizer sobre esse tema, e ele merece atenção própria. Veja o artigo grafia britânica: colour, centre, travelled para a lista completa dos padrões e as exceções.

Há ainda a questão do sufixo “-ise” e “-ize” em verbos como “organise” e “organize”. Ela é mais sutil do que parece, e explicamos em -ise ou -ize: qual usar.

Vocabulário: palavras diferentes para a mesma coisa

Aqui estão as diferenças que mais confundem quem viaja ou assiste a séries dos dois lados do Atlântico. A mesma coisa tem nomes distintos.

Britânico Americano Português
flat apartment apartamento
lift elevator elevador
queue line fila
lorry truck caminhão
biscuit cookie bolacha, biscoito
petrol gas, gasoline gasolina
holiday vacation férias

Existe também o caso inverso, mais traiçoeiro: a mesma palavra com sentidos diferentes. “Pants” no inglês britânico costuma ser cueca ou calcinha, enquanto no americano são as calças. “Chips” no Reino Unido são batatas fritas em bastão, e “crisps” são as batatas de pacote. Nos Estados Unidos, “fries” são as primeiras e “chips” são as segundas.

A lista completa, com mais exemplos e explicações, está em vocabulário britânico x americano.

Gramática: poucas diferenças, mas reais

A gramática é a área onde as duas variedades mais se parecem. Mesmo assim, há tendências que ajudam a entender o que você ouve e lê.

Presente perfeito e passado simples

O britânico costuma usar o present perfect (tempo ligado ao presente) com palavras como “just”, “already” e “yet”. O americano aceita bem o passado simples nesses casos.

  • I’ve just eaten. (britânico, comum): acabei de comer.
  • I just ate. (americano, comum): acabei de comer.

As duas frases estão corretas, e cada uma soa mais natural em um lado.

Substantivos coletivos

Palavras como “team”, “family” e “government” podem pedir verbo no plural no inglês britânico: The team are playing well. No americano, o verbo costuma ficar no singular: The team is playing well. Quando o britânico usa o plural, ele pensa nas pessoas do grupo, uma a uma.

Got e gotten

No americano, “gotten” é o particípio de “get” em muitos sentidos: She has gotten better. No britânico, o particípio costuma ser “got”: She has got better.

Outros pontos, como “have got” e “shall”, ficam no artigo gramática britânica e americana.

Pronúncia e sotaque

A pronúncia merece um aviso importante: não existe só um sotaque britânico, nem só um americano. Ainda assim, algumas diferenças gerais ajudam.

  • O som do R. No inglês britânico padrão, o “r” no fim de uma sílaba costuma desaparecer em palavras como “car” e “park”. Na maior parte do inglês americano, ele é pronunciado. Linguistas chamam essa característica de ser rótico (que pronuncia o r) ou não rótico (que não pronuncia).
  • O T entre vogais. Em “water” ou “better”, o americano costuma pronunciar um “t” suave, quase um “d”. O britânico padrão mantém um “t” mais claro, embora em algumas regiões ele seja trocado por uma pausa na garganta.
  • Algumas vogais. Palavras como “bath” e “dance” têm uma vogal mais longa e aberta no sul da Inglaterra, e mais curta e fechada nos Estados Unidos.

Você não precisa dominar tudo isso para ser entendido. O que ajuda é ouvir os dois lados com frequência, para que nenhum deles pareça estranho.

Escrita: datas, pontuação e tom

Na escrita aparecem mais algumas diferenças práticas.

  • Datas. No Reino Unido, “02/11” costuma ser 2 de novembro (dia primeiro, mês depois). Nos Estados Unidos, costuma ser 11 de fevereiro (mês primeiro). O formato brasileiro é igual ao britânico, o que ajuda.
  • Aspas. O britânico costuma preferir aspas simples nas citações, e o americano prefere aspas duplas. Os dois aceitam a outra forma em alguns textos.
  • Tom. O inglês britânico tende a ser mais indireto e cheio de suavizadores, como “I wonder if you could…”. O americano costuma ser mais direto. É uma tendência, e não uma regra.

Como usar tudo isso na prática

Você não precisa escolher um lado para sempre. Algumas dicas simples:

  1. Decida qual variedade vai usar no seu dia a dia de estudo e seja coerente. Misturar “colour” com “center” no mesmo texto chama atenção.
  2. Se você escreve para um público específico, siga a variedade dele. Um e-mail para uma empresa em Manchester pede grafia britânica.
  3. Para provas, confira o regulamento de cada uma. Não presuma qual padrão é exigido.
  4. Ao ler ou ouvir algo estranho, pergunte primeiro se é uma diferença regional. Muitas vezes é.

Se você está em dúvida sobre qual estudar, leia inglês britânico ou americano: qual estudar. E, se quiser ver essas marcações em um texto seu, use o analisador, que destaca grafia, vocabulário e outros pontos que mudam de uma variedade para outra.

Onde conferir

Para confirmar grafia e vocabulário, consulte os dicionários Cambridge (dictionary.cambridge.org), Oxford Learner’s Dictionaries (oxfordlearnersdictionaries.com) e Merriam-Webster (merriam-webster.com). Os dois primeiros trazem o uso britânico e o americano lado a lado, e o terceiro registra o americano. Compare as entradas quando tiver dúvida.

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